Uma mão superior – Coluna nº 23

Na vida, a gente tem uma terceira mão, talvez quarta, nos afagando e protegendo nos momentos difíceis. É a mão que inspira. A mão que segura, que embala, que acalenta. É a mão que edifica, que constrói, que acena para um adeus, sabendo que é apenas um “até breve”. É aquela mão da confiança, da fé. É aquela que não desiste e não se entrega, mesmo quando a batalha é perdida. Como eu vi em um filme, “a mão que balança o berço é a mão que governa o mundo”. É a força superior. É o amor. É a nossa mãe.
Se formos fazer uma análise, mãe e mão têm muito mais em comum do que imaginamos. Embora a grafia tenha uma vogal de diferença, seus contextos estão unidos pela grandiosidade que representam. A mão tem tanto poder quanto a mãe: pode afagar, criar, pacificar. Pode ser solidária e generosa, como a mãe é em sentimentos às suas crias. Mãe é o substantivo, o adjetivo, o vocativo. É o elo que nos liga ao mundo. É o mundo que temos diante de nós.
Mãe é um ser engraçado também. É coruja, é um bicho-da-seda que dá o melhor de si para o que criou. É criatura que está sempre atenta e que vê no escuro. Que vê longe. Que sabe tudo, mesmo quando a gente não quer saber (ah, fala muuuito!). Mãe é a mão que nos salva do perigo. É a bênção matutina. O beijo de boa noite.
Mãe é a mão que nos socorre. Que apaga os incêndios sejam eles sentimentais ou bancários. É o nosso cartão de crédito ilimitado: está ali para o que der e vier, com amor incondicional, gratuito. Mãe é a mão em metamorfose: aquela que pode acarinhar ou mesmo golpear um “inimigo”. É a mão do conforto, da sensibilidade. É a mão que educa e que se comunica apenas com um gesto de “nananinanão”!
Mãe é a mão que a gente quer segurar no hospital, nem que seja só na hora de medir a temperatura. É o substantivo que a gente grita ou que vocaliza diante de uma decisão difícil. É o que se clama na saudade. É tudo o que a gente quer, quando as nossas forças estão acabando: “Cadê a minha mãe?”.
Mãe é o começo de tudo. É a mão que guia nossos primeiros passos. É quem nos dá “aquela mão” para cuidar do primeiro rebento ou para entender um pouco do mundo e da gente que sacode ali dentro. Ela é gramática. Física. Matemática. Química. Alquimia.
A mãe é a mão para sempre. E para sempre é muito tempo. Um tempo que a gente tem para segurar, amar, beijar e ser um pouco dela no infinito de nós. No infinito do amor de mãe. Na mão infinita, invisível e intocável. Inexplicável. A mão superior. A mão divina. À mão da nossa mãe, meu muito obrigado, hoje, amanhã, domingo e em todo o sempre. Amém.Imagem

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20 comentários sobre “Uma mão superior – Coluna nº 23

  1. Lindo texto!
    A minha mãe, que se encontra em outro plano, a minha saudade e amor eterno! te amo mãe! sinto falta de teus abraços e da tua mão a afagar meus cabelos…
    E quem têm sua mãe, que pare de reclamar dela e pegue em sua mão – e saia com ela para passear no dia das mães.

    1. Sandra,
      Obrigada pela visita!
      Mesmo não estando mais entre nós, tenho certeza de que sua mãe sempre está com os braços a cingir você.
      E o mais interessante é que Deus não nos abandona e coloca outras mulheres, outras mães, diante de nós, para que sintamos este amor infinito.

  2. Querida Monica. Certa vez li uma antologia da obra de Pablo Neruda e algo que me emocionou foi um poema onde ele diz que todos tem mãe e ele teve uma MAMÃE. A mãe de Neruda morreu quando ele ainda era um bebe e ele foi criado por sua madrasta e quantas vezes ele relembra desta mulher com tanta ternura. Voce mencionou Deus comumente ouvimos dizer que Deus é Pai, curioso pois na obra do profeta Isaias o cronista no capitulo 49 deste livro diz: “Sião dizia: O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim.
    Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas (bebe)? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca”.Isaías 49:14-15, pedagogicamente a melhor forma que o cronista conseguiu de comparar o amor incondicional do Criador por sua obra foi esta o amor de uma MÃE. Aproveito para deixar aqui uma breve homenagem a minha MAMÃE que sempre acreditou em mim e que me despertou a paixão pela leitura e pelo sonho, pena que nós homens nos esquecemos da ternura herdada de tais criaturas e muitas vezes ao longo da História nos perdemos em nossos jogos de Poder e Revolução. Querida Monica uma ultima palavra relembrando um homem um revolucionario que em seu tempo restabeleceu a justiça e a dignidade que as mulheres merecem: “Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo”.
    João 16:21
    Meus cumprimentos a sua mãe ela deve se orgulhar muito de voce pois ela cumpriu bem seu papel.

  3. Bom dia iluminada Mônica.

    Maravilhoso: “Na mão infinita, invisível e intocável. Inexplicável. A mão superior. A mão divina. À mão da nossa mãe, meu muito obrigado, hoje, amanhã, domingo e em todo o sempre. Amém.”.

    Seu texto de inspiração oferecido à todas as pessoas é sem dúvida etéreo, as tenham em seus convívios, ou que já partiram, o fato é que o poder das mães é infinito, é a obra mais bela de todas as obras do universo.

    Somente a mulher conhece a verdadeira vida, a verdadeira entrega, porque a ela lhe é sagrado gerar seres. Deve ser maravilhoso este sentimento do poder de criação e do amor, por isso peço licença em sua coluna para homenagear todas as mães, estejam aqui ou nos nossos corações como a minha, com um trecho de um poema singelo que escrevi um tempo atrás.

    Mulher.

    Na liberdade de uma fonte virgem
    Tão clara e pura ao se embrenhar na mata
    Banhada em sonhos de mulher ardente
    Tal a intensidade do seu curso d´água
    E das vertentes, ávidas correntes
    A deleitar-se bem no fundo da alma
    De quem a sorte saciar a sede
    E com tal zelo de ternura e calma.

    Uma ótima sexta-feira e um excelente dia das mães.

    1. Oi Clélio!
      Ah, você sempre tem um presente especial!
      Que lindo o seu poema! Também uma arte etérea, de um amor infinito!
      Parabéns, meu querido! E obrigada por partilhar da tua arte!
      Beijo,

  4. Parabéns por essas lindas palavras. Você escreveu tudo o que eu gostaria de um dia ter escrito para e/ou sobre minha mãe e que um dia gostaria que minha filha escrevesse para mim. Você me inspirou e me emocionou!
    bjo grande!

    1. Obrigada pela visita, Ju!
      Fico muito contente pelo teu comentário. Obrigada mesmo!
      E, se você se emocionou, eu só tenho que agradecer a Deus pela inspiração. Porque escrever, ser lida e emocionar um leitor é uma dádiva muito especial!
      Beijocas,

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