Dê corda no amor – Coluna nº 27

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O amor está no ar de novo. Ou melhor, o sentimento de consumismo que volta à cena exacerbando tudo como se fosse o único a resistir em tempos de tanta confusão entre ter, ser, gostar, amar. Não há mais criatividade em nada. É tudo sempre igual. E, se estes casais de hoje em dia se fazem de “pombinhos”, sinto informar, mas uma hora vai dar merda. Ué… pombo faz caca!! Tá… todo mundo também faz e este é o problema. Será que estou sincera demais?
E, em se tratando de amor, ele está tão difícil de encontrar! Parece que foge da gente o tempo todo. E quando aparece alguma coisa meio parecida, acaba naquela mesmice de sempre, porque a maioria das pessoas se acostumou com “o de sempre” e isto é um negócio muito chato. Parece que as pessoas apenas se aturam e não compartilham as coisas boas da vida. E se aturam sem dizer a verdade: têm medo de ser sinceras. É… porque sinceridade demais assusta. O duro é que também lima o diálogo sadio que poderia existir entre duas pessoas que, em tese, se gostam. E a verdade fica ali, sem sair do armário, junto com tudo o que se queria dizer. Até que uma hora o armário fica frágil, a porta se rompe e sai dali um mar de ofensas.
Será que era isto que a gente esperava de nós e do outro? Um mero “passar o tempo”, sem aprender nada? Sem crescer de verdade, sem amadurecimento? Não, né? Vamos acordar. Hello!
Os tempos mudaram, mas algumas coisas fazem sentido desde o tempo da vovozinha. Não dá para manter um namoro, ou sei lá o quê, sem aprender um pouco, sobretudo, sobre respeito. É preciso respeitar as diferenças, mas sem maquiar outros sentimentos: o que não agrada deve ser dito. Claro que não com a sutileza de um neandertal, mas com a inteligência e sensibilidade de um ser que é capaz de amar o outro.
Aliás, um sentimento bom, qualquer que seja, é como o relógio de corda. É preciso estar mexendo nele, vez por outra, para não parar. Não é automático como tudo que temos visto e feito. É claro que diante de nós surgem desafios. Temos momentos meio difíceis, como a árvore que se desfolha no inverno e se desnuda. Entretanto, renasce na primavera com suas cores e flores vigorosas. E isto vale a pena.
Vamos gostar de verdade. Amar. Dar uma chance para algo novo, mas com sinceridade acima de tudo. Sinceridade de dentro para fora. Uma sinceridade que desabrocha até um poema feito de próprio punho, melhor do que aquele cartão que custou dez pilas, mas que não passava de mais um na prateleira. Vamos fazer a diferença. E marcar o tempo, no relógio de corda. Sem parar de cuidar do tempo e do amor. E também de tudo que é bom.
 

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4 comentários sobre “Dê corda no amor – Coluna nº 27

  1. Japunska – boa tarde.

    Depois de algum tempo, ontem folheei o M News; engraçado é que, por mais facilidade que eu possa ter lendo suas colunas no seu Blog e que adoro, sei lá, no jornal é mais gostoso, ou romântico, ou mesmo pq é o que adoro fazer – ler jornais. Apesar de eu ter lido todo o jornal da Estação Penha até a Estação Brás, eu tinha a sensação de que deveria trazê-lo pra casa, era um Bem que possuía naquele momento e que tinha um valor incalculável desmedido monetariamente. No entanto na volta, percebi que um sujeito no banco ao lado estava descaradamente de olho no Meu jornal; confesso que fiquei meio enciumado, afinal era meu Bem que ele desejava, mas me senti feliz ao vê-lo sorrir quando lhe ofereci o, que agradecido disse-me: “desculpe, é que adoro ler jornal e não consegui resistir a tentação, mas se não quiser não precisa me dá-lo, eu posso ir lendo e se a sua estação for antes que a minha eu o devolvo”. Com a atitude de grandeza daquele sujeito, eu não poderia fazer um empréstimo de algo que não me pertencia por direito, já que aquele jornal gratuito (e mesmo que não fosse), é um bem inerente a todas as pessoas que garimpam boas informações na mídia marrom, já que esses bens culturais são tão escassos nos meios de comunicação em geral. Desci na Estação Penha e o sujeito seguiu sua viagem folheando Nosso Jornal.

    Mônica, também tenho um relógio de corda que por enquanto está parado, já que há pessoas disponíveis, mas seus relógios são a Quatzo.

    1. Que lindo gesto, Clelitcho!
      Gostei da forma romântica com a qual você descreveu a doação do jornal. Sim, isto tudo é tão interessante… Se tudo que é bom pudesse ser compartilhado como um jornal viveríamos tão melhor que hoje. Tão mais românticos, talvez. Tão mais vorazes pela sensibilidade. Tão mais humanos.
      Aguarde o seu relógio. E dê corda, meu querido. Não importa para quem. Ou para si mesmo.
      Um abraço reconfortante com os fluidos de um ótimo fim de semana!
      Namastê, meu querido!
      Ah, me manda alguma coisa nova sua aí. Que eu tô com saudade de poesia! 😀

  2. Em se tratando de amor, sinceridade a mais, me diz o que você pensa, o que você acredita seja ela por experiencia, conhecimento ou desconhecimento. Mas quando falamos de sentimento e abordamos Amor gostaria de ler algo que de inicio não fosse tão envelhecido, inexistencial e talvez pessoal. devo acreditar que foi um início, inpensado e mal colocado,

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