Ganhe na pontuação – Coluna º 28

 

ImagemNos últimos tempos, usar o cartão de crédito, pagar gasolina ou apenas manter fidelidade a qualquer empresa significa acumular pontos. Com aqueles numerais todos dá para viajar de graça. Comer em um bom restaurante. Ir a um show na faixa. Ganhar um livro ou mesmo um liquidificador. Tá… Um juicer, que é mais chique…
As pessoas vão e vão acumulando pontos esperando algo em troca antes que estes pontinhos expirem por “n” motivos, incluindo a inoperância no sistema.
Mas eu gostaria mesmo que este acúmulo de pontuação fosse outro. Gostaria que as pessoas soubessem mesmo pontuar suas vidas, suas frases, suas conquistas. Que elas, assim como quem escreve bem, pudessem usar sinais melhores para se fazerem entender.
Queria mais gente sinalizando bem um ponto final, com a objetividade e a dureza que ele deve ter para demonstrar mesmo um fim. Sem rodeios. Sem aquelas “nove horas” de ficar colocando parênteses no meio, antes de acabar. Ponto final é ponto final, pô!
Queria mais gente usando bem uma exclamação de surpresa, fazendo uma súplica divina ou um elogio verdadeiro, daqueles que a gente quase perde o fôlego de tanta emoção pronunciada.
Queria mais gente com menos reticências que deixam a gente meio no vácuo ou em falsas expectativas. Se for para usar reticências, então que se abuse da criatividade a ponto de provocar uma curiosidade ou uma vontade de continuar aquilo que não acabou.
Queria gente usando mais vírgulas para pontuar qualidades, desejos, músicas, admirações e alegrias, naquela sonoridade emblemática de uma conquista.
Queria mais gente botando interrogação onde existisse mesmo uma dúvida, ao invés de suscitar besteiras ou fazer perguntas indevidas.
Queria mais gente me colocando entre aspas (ui!), mas sem modificar o que eu digo.
Queria mais gente botando travessões em diálogos, mas sem atravessar conversas alheias, sem o mínimo de senso, só para interferir ou dizer algo que ninguém pediu para ouvir.
Queria mais gente começando um parágrafo com letras maiúsculas, sem medo de escrever sua história, sem medo de errar uma vírgula, fazendo o raciocínio progredir e enumerando tantas coisas depois de dois pontos.  
Queria mais gente aprendendo com seus erros de pontuação. Apagando e começando de novo. Abrindo aspas, colocando vírgulas, exclamações, reticências. E quando fosse preciso mesmo, haveria um ponto final. Quem sabe um ponto e vírgula, porque talvez seja preciso continuar a oração. A oração de fazer o bem. De não ter medo de ir além. De investir em ser um ser humano melhor. Mesmo diante de tantas imperfeições.

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17 comentários sobre “Ganhe na pontuação – Coluna º 28

    1. Obrigada, Rosita!
      Este texto foi uma inspiração peculiar, sabe. Um insight noturno, daqueles que a gente não pode perder!
      Fique com Deus!
      Beijoca e obrigada pelo seu prestígio jundiaiense inestimável! 😀

  1. Parabéns Monica por este texto. Palavras simples mas bem colocadas. Bom seria se todos se dispusessem a compartilhar suas ações com sinceridade e simplicidade.Adorei também seu texto sobre gentileza. Um bjão

  2. Kikuti o que falar? Nada. Porque você já falou tudo. Apesar que, pensando bem, tenho um ponto de interrogação na minha caixola. Tudo não faz parte da evolução dos seres humanos, coletiva ou individualmente?

    1. Sim, Maluzita! É parte da evolução, mas tem gente que ainda não aprendeu a botar ponto final nas coisas, por exemplo.
      Por isto, entre erros e acertos, a gente precisa aprender. Amadurecer. E começar a fazer nossa pontuação na Gramática chamada Vida! 😀

      1. Agora sei porque gosto das reticências… rs. Nunca se sabe quando uma ideia nova vai surgir. 🙂 Acredito que se fizermos a nossa parte já tá de bom tamanho. Você já falou do livre arbítrio? Que tal?

  3. Nossa, vc extrapolou, querida! Parabéns pelo lindo texto, que mais parece um compêndio de Português, mas com muita graça e criatividade! Realmente, escrevemos muito mal,e sequer sabemos usar a pontuação devida, ou a usamos indiscriminadamente. Perdão, esse, o Brasil dos brasileiros, com tudo junto e misturado; mas valeu pela dica, vamos tentar nos lembrar de nossas aulas de Língua Portuguesa, que eu, pessoalmente, continuo amando!!!
    Outra sugestão, também gostaria que vc falasse sobre o livre arbítrio, a capacidade de escolha que Deus concedeu ao homem/mulher de selar e decidir seu próprio destino, algo que vai além de nossa imaginação, não é maravilhoso??!!
    Até mais ver!…

    1. Olá querida Suely!
      Obrigada pela passagem por aqui e pela sua leitura estimada. Namastê!
      Sabe, você é a segunda pessoa que me pede para falar do livre arbítrio.
      Vou pensar em uma forma de falar deste assunto, ok?
      Obrigada pela sugestão!
      Beijo,

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