Sem despedidas antecipadas…

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– Que bom ver você! Estava preocupada!, disse-me.

– Teve o aniversário do meu pai e, depois, nestas últimas duas semanas, eu não estava muito bem. Por isto não vim!, respondi-lhe.

– Você estava mesmo com tosse da última vez que veio. Não estava bem. Sabe que eu até pensei que você poderia ter morrido?!,  falou, com aquele ar de “que bom que isto não aconteceu”.

– Mas, eu estou “vivinha da Silva”! Não vai ser agora a minha hora. Quem sabe daqui uns 50 anos?, perguntei.

Dolores sorriu, pediu a Deus mais 50 anos de vida para mim e me abraçou, como em um bom reencontro. Um reencontro talvez inesperado.

Fiquei tocada com aquilo. Pensei que a probabilidade de que eu estivesse morta era muito baixa. Afinal, numa visão cronológica das coisas, acreditamos que os mais velhos morrem primeiro do que nós, como aconteceu com a Maria Corrêa, que não pude me despedir. Mas, para quem vive em um asilo, onde estão outras pessoas também idosas e com uma série de problemas de saúde, a morte está sempre à espreita. E quando alguém, de repente, não está mais ali, é porque foi desta para melhor.

Talvez nunca alguém tivesse me dito que pensou que eu morri, com esta intensidade. Claro que a gente brinca quando fica sem ver alguém por um tempo e, de repente, encontra e diz: “Nossa, pensei que você tinha morrido”. Mas, no caso da Dolores, ela falou de morte mesmo. Morte morrida. Páft! Um sumiço que significava o adeus perene, sem chance de voltar a ver. Sem chance de pronunciar um “até breve”. Sem chance de um reencontro para anestesiar a saudade que a gente tem de quem gostamos.

E muitos sentimentos acabam morrendo também quando a gente os deixa de lado. Quando não os deixamos presentes na nossa vida. Embora, haja a saudade de alguns, parecem que foram enterrados.

Que não me enterrem antes do tempo. Que não haja bons sentimentos mortos. Que haja mais vida do que morte. Mais dias, mais luz. Menos escuridão. Menos sombra. Mais risos. Contentamentos. Mais encontros. E menos despedidas.

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2 comentários sobre “Sem despedidas antecipadas…

  1. Boa tarde Mônica,
    A 1a. vez que li um artigo seu foi em uma publicação do jornal MetrôNews do dia 27/06/13 – 5a. feira, cujo título foi: “Em suaves prestações”. Parabéns! Encantei-me com seu jeito simples e objetivo de descrever fatos. Abç carinhoso.

    1. Olá Elis! Seja bem-vinda!
      Muito obrigada por seus elogios e pela visita aqui!
      Ah, não consegui ver a publicação no site que você mencionou…
      Mas, sem dúvida, você é uma mulher sensível!
      Muitas poesias e prosas para você!
      Beijo,

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