Num pedaço de papel

Sinto o vento gelado nos meus ouvidos. Eles sopram frases como silvos. Não entendo nada do que quer me dizer. Só sei que faz frio. Mas, não sinto mais nada disto.

O céu abriu uma lacuna entre o azul e as densas nuvens. Podia-se ver um pouco da luz do sol. Só um pouco. E senti que era um deslumbre. Um deslumbre poder ver alguma coisa.

Caminho. Subo. Desço. Estanco. E não sei mais para onde ir. Até que sinto minhas pernas cansadas. E como é bom sentí-las!

Lanço um beijo ao vento para ver se voltaria. E seria bom sentí-lo.

Num pedaço de papel no bolso do casaco, encontro um papel amassado. Letras. Palavras. Escritos. Feitos.

E me surgem inspirações. Emoções. Novas vontades até então encerradas em um “não”.

Leio. Releio.

Passo-me por inteiro.

Nos olhos, tenho um brilho renovado.

Já não me sinto como antes: como um papel amassado, com tudo escrito e não dito.

Reescrevo-me, sentindo tudo de novo. Sem amassados e sepultados. E como é bom sentir! Desmedidamente.

No papel, ainda há um borrão.

Era um apagado coração.

Que renasce, celebrado em cores. Em tintas novas.

Em letras garrafais.

Em letras de música.

Na caligrafia.

Que não quer parar.

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2 comentários sobre “Num pedaço de papel

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