Uma boa viagem – Coluna nº 42

Outro dia pensei que o William Bonner tivesse me dado boa noite e respondi. Depois do ato falho lembrei que ele falou para um mooonte de gente. Viajei, tudo bem, mas respondi por educação, né? Também gostei de uma voz no rádio. Pensei: “Nossaaaa,  que voz linda!”. Mas, geralmente, a voz engana demais: príncipes viram sapos, princesas viram bruxas. Ah, mas até a minha voz engana qualquer interlocutor e às vezes brinco lendo um texto qualquer para mim mesma. Posso ser princesa ou bruxa. Ah, é engraçado pelo menos, afinal, ser racional demais cansa. É chato. E eu não gosto do que não tem graça! É que nem comida sem gosto. Perfume sem cheiro. Flor sem cor. Alguém indiferente às emoções ou inoportuno demais.
Se a gente não gostar da própria companhia, vai poder conviver com mais alguém em paz? Será bem mais difícil, convenhamos. Talvez seja por isto que várias pessoas não se suportam, quanto mais suportar o outro. Puxa, a gente tem que ver graça em si mesmo! Um negócio nosso. Uma viagem para dentro de si, reconhecendo as coisas boas e as ruins. E é muito bom reconhecer o bom de nós, aquela coisa que traz um conforto, uma identidade. A gente tem tanta coisa boa e, por vezes, deixamos todas lá escondidas. Talvez por vergonha, medo, indiferença. E a indiferença é um negócio perigoso quando nos avaliamos. Não dá para ser indiferente a si mesmo. É desleal, até porque quando somos indiferentes ao que temos de bom seremos também indiferentes ao que temos de ruim. Que cilada, hein?
Dá para virar o jogo. Trazer mais graça à vida. Mais graça para a gente. Num mundo em que as pessoas ficam falando em bens materiais a toda hora e isto é símbolo de ser “bem sucedido”, aquele velho dilema continua bem vivo: todo mundo quer ser feliz e a gente sabe que este tipo de felicidade “comprável” dura pouco.  Ser bem sucedido é estar de bem consigo mesmo. E se a gente não se empenhar fica mais difícil do que ganhar na Mega Sena. O autoconhecimento é a chave que abre tantas portas outrora fechadas, desconhecidas. E aí tudo fica mais fácil, numa admiração contínua, sem arrogância.
Tudo bem, gosto da voz do Bonner. Quero continuar acreditando que a Fátima Bernardes é um amor de pessoa e por isto, o Bonner pode dizer boa noite mesmo, porque ele deve ser feliz. E se não for vai ser. Assim como nós. Porque não há alternativa na vida a não ser ser feliz.
Ser feliz não é ser perfeito. Ser feliz é ser a gente mesmo, descobrindo coisas legais a cada viagem para dentro de nós. Uma viagem que não acaba na volta. Que não tira férias e que carimba o passaporte de novas emoções. Viaje mais. Namastê!

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