Mantendo distância – Coluna Revista Avenida – Outubro 2013

Minha amiga estava apaixonada por um cara que mora onde o Judas perdeu as botas. Não, não é em algum bairro de São Paulo. É no Peru, chuchu!! Diante de milhares de quilômetros de distância, meu Deeeeus, há amor que resista? Fiquei pensando nestes “amores a distância” e como as pessoas podem dar vazão a estes sentimentos diante de uma imensa questão geográfica. Não dá certo. Claro que há exceções, mas vamos combinar: ainda não dá para afagar e beijar pelo Skype, né?

Se bem que conheço um monte de gente que arranja, não sei como, pessoas para namorar nos maiores rincões do planeta. Está tão fácil se apaixonar assim ou as pessoas estão carentes? Ou tem gente muito interessante dando sopa por aí? Ah, nããão! O povo está carente, está precisando de um colinho, daquela atenção básica, de mensagens no WhatsApp, de recadinhos no Face. Qualquer piscadela ou um olharzinho mequetrefe são suficientes para despertar desejos até então adormecidos ou enterrados naquelas lembranças juvenis. Justamente porque as relações estão superficiais demais, até a relação que temos conosco mesmos.

Se o amor, no têt-à- têt, já está difícil, imagine com cada um dos personagens vivendo a quilômetros de distância. É inviável e também sofrido. Afinal, com a profusão de chifres renascendo até das profundezas não dá para confiar piamente em alguém que esteja tão longe. E além do mais, levando em consideração os desejos mundanos, também não há fidelidade que resista quando os sentimentos são permeados a tanta instabilidade, seja mesmo entre as pessoas ou pelas redes de fibras ópticas. Vale a pena correr o risco?

A mulher se envolve demais. Às vezes, se apaixona até por uma voz. Faz planos para a velhice. Conta para as amigas que encontrou o príncipe encantado, mesmo que não tenha visto nem a foto do dito cujo. O homem também quer fidelidade, desde que ele possa pular a cerca de vez em quando, claro. Pimenta no olho dos outros é refresco. Tá, nem todos são assim. Mas, há muitos.

O engraçado é que, embora haja gente sofrendo com amores à distância, há um mundaréu de gente sofrendo ainda mais com amores de bem pertinho. O problema é que mesmo os que podem usufruir da presença do outro no dia a dia estão preferindo manter a distância. Como? Só ficando no superficial, naquela coisa de manter as aparências,  imprimindo a chatice ao cotidiano, e abrindo brechas para o desrespeito. E aí o relacionamento vira mesmo uma novelinha sem graça, com capítulos previsíveis e o fracasso à espreita.

Puxa, sejamos mais criativos e apaixonantes! Mais razoáveis com começos e fins. E mais cheios das riquezas de sentimentos do que de pobreza de espírito. Porque disto o mundo está cheio. De longe ou de perto.Image

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