Ventura sem aventura

A liberdade, o destino, o acaso. Não sei. Talvez não se dissociem mais, porque acostumaram-se com a comodidade de estarem juntos. E muito certamente a comodidade os condene a um casamento, de laços que vão se perpetuar.
Gostamos do que se perpetua, porque acreditamos no “para sempre”. Acostumamo-nos ao de sempre, sem dar espaço às novas oportunidades. Talvez isto seja a liberdade, o livre arbítrio ou mesmo a falta de exercitar as escolhas, as alternativas.
Gostamos de pensar no destino, encontrando respostas para o que não sabemos responder. Talvez seja o costume em ter respostas para tudo ou não aceitar que, em algumas situações faltem explicações críveis.

Gostamos também do acaso, com os mesmos preceitos do destino, agindo como executor do que pensamos não ter controle. E, na verdade, só chega ao nosso encontro o que procuramos, embora não tenhamos consciência disto.

E começamos tudo de novo, com os velhos hábitos, com a ação do que não se vê, querendo enxergar o que esteve nas névoas da insensatez. Do costume. Das velhas amarras. Da comodidade e da segurança do conhecido, alinhada com a mesma ventura que o “de sempre” traz consigo. Ventura sem aventura. Sem quentura. Com o morno em morbidez.

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4 comentários sobre “Ventura sem aventura

  1. o casamento propõe reinventar o amor a cada dia…( como o ar que vc respira, não é o mesmo, mesmo sendo ele, sendo o ar que vc respira e te mantém viva, mas vai além disso qdo une ao seu “querer viver” que faz vc sentir que a manhã foi especialmente feita pra vc. Que a luz do sol está mais intensa e mais bonita. Que a chuva refrescante que cai não é um tormento…. a gente vê beleza quando antes ela chegou ao nosso coração e se acomodou nas nossas “gavetas”. Se não podemor ver a beleza e tornar mais bela nossas relações, talvez tenha muita poeira pra limpar, para que o ar possa, em sua liberdade, invadir a vida da gente só pelo gosto de viver, de ser o que é podendo ser necessário e surpreendente a cada instante…)

  2. São 17:OO, não sei o que escrever diante de mim há dois textos, dois pontos de vista. Duas visões distintas, antagonicas, senti medo, me encontrei diante da manifestação encarnada da Frustração e da Esperança ambas irmãs. Me lembro de uma cena da Tv do inicio dos anos 90 quando o primeiro secretario do Partido Comunista Soviético Mikhail Gorbachev foi deposto em um golpe de Estado, os golpistas entraram em rede nacional na Tv soviética, me lembro da figura do homem um dos golpistas que se dirigia ao mundo naquele momento, ele parecia quimicamente alterado, dizia e bradava palavras de ordem e estabelecimento do poder. Aquela cena me marcou profundamente, um homem que se amarra ao poder que não desiste de abrir mão de seu mundo que já esta em ruinas. Penso que talvez devessemos ter a mesma coragem diante das duas irmãs: Frustração e Esperança, estas duas irmãs que desde os primórdios da História as temos tanto desapontado, penso que já é hora de com a mesma coragem dos golpistas tomar o poder novamente deste mundo despedaçado, ainda que por instantes.
    E usar todas as forças restantes para olhar dentro dos olhos das duas irmãs que já foram tão feridas e ter a coragem de dizer: – Perdão eu errei. Eu sinto muito.
    Feri a esperança e causei a Frustração. Não encontrei o equilibrio histórico que deveria ter me feito alimentar a Esperança e não destrui-la, deveriamos ter tido a coragem e a humildade de encarar a irmã Frustração e dizer-lhe eu fracassei com vc peço-lhe perdão. Talvez assim as duas irmãs voltassem a sorrir mesmo sabendo que nós homens continuaremos nossa existencia numa série de sucesões de erros, ainda que na verdade estejamos buscando tão somente consertar as coisas. As duas irmãs, as duas mulheres eu peço tão somente perdão.

    1. Talvez não seja a esperança que traga a frustração, mas a expectativa. Esperança tem que ser algo mais profundo. A expectativa é mais razoável e nem tão romântica. Esperança nos dá o ar de algo mágico, enquanto a expectativa é um limitador de “felicidade”. Enfim…. aprendamos todos os dias…

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