Um “outro” do outro – Coluna Revista Avenida – Novembro 2013

Costumamos dizer que é na hora difícil que conhecemos o outro. Isto é bem verdade. Quando tudo está bem, as pessoas têm um comportamento que não demanda suspeitas. Entretanto, quando o mundo vira do avesso e algo sério se impõe, limitando as ações e sufocando as emoções, a parte mais nefasta do ser humano vem à tona. E, à margem dos sentimentos mais sublimes, surge um outro indivíduo que a gente não supunha existir. Um outro alguém. Um “outro” do outro.

Juras de amor eterno se despedaçam em palavras malditas. E aí vemos que há muitos homens dispostos a se deitar, mas que não conseguem ficar de pé diante das menores turbulências. Eram falsos companheiros. Talvez apenas companheiros de cama. E o cerco se fecha. Máscaras caem.

Fácil é deitar. Difícil é ficar de pé e manter-se em equilíbrio. Caminhar lado a lado, sem querer tomar a dianteira, para se sentir superior. É preciso ter hombridade. Respeito. Assumir responsabilidades.

Solidarizei-me, numa espécie de decepção coletiva, com uma amiga minha, ao saber que o namorado não queria assumir o filho que ela esperava. Tampouco ele queria que a criança viesse ao mundo.  Ah, era um cara tão bom, o protótipo do “marido perfeito”!!  É, mas pessoas perfeitas não existem… Hello, vamos acordar!

Senti, de forma irmanada, a dor que a covardia alheia traz consigo. A dor de saber que as palavras ditas, muitas vezes, são ecos do nada. Não representam sentimentos verdadeiros. São frases feitas que muitos de nós estamos acostumados a recitar com encanto falsificado. Com encanto das segundas intenções. E se há sempre segundas intenções, como vamos poder constituir algo mais palpável, um relacionamento de verdade, que clama por companheirismo no dia a dia, acima da companhia em cima da cama?

Gente covarde cansa e destrói. Ter medo é uma coisa. Ser covarde é outra. E a covardia, por menor que seja, realmente apequena qualquer pessoa, por ela não ter a responsabilidade de assumir, sejam as grandes ou pequenas falhas, as responsabilidades, os dividendos.

Uma atitude covarde, aliás, desmorona tudo o que foi construído, porque fragiliza ainda mais o castelo de areia. Aquele castelo que acreditávamos ser eterno.

Lamento a covardia alheia. Lamento o machismo hostil. Lamento as relações que caem no ralo da inconsequência, da conformidade com o mínimo, do descarte sem limite, como se nunca houvesse nada que valesse a pena.

E lamento o “outro” do outro que se converte em cotidiano, desmascarando os velhos golpistas de corações, que estão entre nós, crescendo vertiginosamente com a falta de escrúpulo. E a falta da verdade. E, o que é pior: a falta de amor.

 

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6 comentários sobre “Um “outro” do outro – Coluna Revista Avenida – Novembro 2013

  1. Cara Monica.
    Seria mais seguro me omitir neste momento. Como você mesma diz é tão dificil conhecer o Outro. E minha cara este processo exige vontade, uma boa vontade e determinação, ser capaz de interagir. E no plano das relações afetivas essa vontade deve ser férrea. “ Juras de amor se despedaçam, em palavras malditas”, existe um lado mais perverso é o de quando tais juras caem em palavras tão doces, tão racionais e tã bem formuladas, que a única coisa que resta é uma cratera tão grande, que se torna pequena diante do vazio existencial causado dentro do ser que assumiu o desfaio de viver a alteridade e a diferença com o outro, sejamos justos cabe melhor aqui a palavra a “outra”. O resultado disto é um sentimento de culpa tão grande em que perguntas nos vem à tona segundo após segundo. E o mais doloroso no processo, as juras de amor eterno e a proposta de construir as bases do que seria um lindo castelo são desfeitas, incineradas, no discurso racional já mencionado, usando nossa tecnologia moderna de aparelhos celulares , tudo resolvido comodamente a distancia sem envolvimento direto, sem ao mneos olhar nos olhos. Em um sms recebido no meio do trabalho vem a questão enigmatica dizendo : “Preciso lhe falar de uma decisão importante que tomei”.
    E depois do paraiso vem o inferno, hombridade, posso definir hombridade, é quando você assume o compromisso com outro, o compromisso de ser autentico, mesmo mostrando defeitos, que não são omitidos pois somos humanos e esperamos que nossos defeitos sejam vencidos, que possamos nos tornar melhres como pessoas. Ah voltando ao inferno, que é após ouvir a afirmação de que o outro faz a escolha por si mesma e que, a Outra decide por construir algo solido na alteridade junto de voce, você ve esta determinação, e coisas até então enterradas, porque pareciam distantes e utópicas ganham forma, é tudo tão brilhante , colorido e maravilhoso, qualquer futilidade te faz rir, e a palavra de apenas 4 letras se torna essencial na sua fala e vocabulário “AMOR”. As dificuladades existentes na vida cotidiana são discutidas e se decide por enfrenta-las e supera-las, como você mesma disse lado a lado. E quando tudo parece estavel firme sólido surge uma sombra do passado da Outra. Um professor de História como eu, que sordidamente acolheu uma menina confusa quando ela tinha apenas 15 anos de idade, que a usou por anos a fio, ao ponto de um dia ela ir até a casa dele e ser barrada na entrada pelos familiares pois ele havia engravidado uma companheira de profissão e ela não era mais bem quista alia, e tempos a depois, a Outra ser convidada para ajudar a fazer a mudança para o apartamento dele e descobrir um lindo quarto pintado de rosa e decorado para o bebe. Ao saber destas coisas a hombridade me fez esclarece-la que o homem que a procurou algum tempo depois de saber de nós, usando a prerrogativa de que estav com Cancer e um exame debaixo do braço estava na verdade a usando de maneira manipuladora de novo, prestes a leh dar outro golpe, e eu deixei claro que dentro do processo de alreidade Eu abandonara o meu passado para construir algo novo a partir de então, ela devia optar pelo mesmo afinal decidimos andar lado a lado. Triste engano visto que ela ainda tocava na bandinha cristã da igreja romana com o mesmo homem que a usara desde adolescente. E desde então inferno , e desde então cada jura de amor, cada demonstração de afeto , cada lembrança, o simples caminhar por uma rua por onde antes andaramos, passar por um onibus que leva a té sua cidade no litoral, e evitar olhar o mesmo banco de praça agora vazio onde um dia nos beijamos e nos amamos.Sim você tem razão: GENTE COVARDE CANSA E DESTROI. E A COVARDIA NÃO TEM GENERO NÃO É MASCULINA OU FEMININA, É APENAS ALGO INERENTE AO SER HUMANO. Mas eu acredito que o ser humano é capaz de transpor o medo, eu o tenho transpost o, um processo doloroso, que causa uma primeira fissura no coração e depois na mente. Mas este ´o simbolo da Fenix, renascer das cinzas como algo novo. Sinto pela sua amiga, e porque há agora uma pequena criatura envolvida, uma pequena vida, todas as crianças deveriam chamar-se Esperança. Sua amiga agora pode projetar nesta pequena vida tudo o de melhor que o outro covardemente se omitiu. No meu caso foram ruinas, para mim o amor não poderia mais existir no Século XXI, ele é vendido, nos grandes agitos, nas esquinas, nos filmes baratos e nos programas televisivos que banalizaram a importância deste sentimento “AMOR”. Eu por insistencia do outro me permiti experimentar este sentimento que correu pelas veias tornando tudo tão jovem e feliz, e o Outro me tomou isto como um traficante toma a droga de um viciado até conseguir seu intento torna-lo dependente. Um gesto covarde, indigno de alguém que se dizia seguidora de Maria. Me pergunto que Maria? Talvez Belzebu. ,Mas, resta seguir em frente, não é tão simples, mas é necessário porque por vezes, o fim do tunel se torna convidativo e aconchegante. Nestes momentos a humanidade se mostra no meio da tempestade e você percebe que não esta sozinho, amigos, os mesmos que você não conseguia enacarar nos olhos porque havia lhes apresentado a RAZAO DA SUA FELICIDADE AGORA DESTRUIDA, ESTRANHOS QUE PARECEM CAPTAR SUA AURA E SE SOLIDARIZAM, OU ATÉ MESMO UMA MUSICA QUALQUER QUE TOCADA POR UM ALUNO DENTRO DA SALA DE AULA PARECE TER SIDO FEITA PRA VC, E LHE DIZ VAMOS SIGA EM FRENTE, VC NÃO É CULPADO E NÃO É VC QUEM DEVE CHORAR.
    DESEJO SORTE A SUA AMIGA, GOSTARIA QUE PUDESSE TER SIDO DIFERENTE PaRA ELA COMO GOSTARIA. Poderescolher o tom da cor da tinta do quarto do bebe, comprar o pequenino primeiro par de de meias que ele ira usar, ouvir seu coraçãozinho na primeira sessão de ultrassonografia, e decidir qual nome se dará ao pequeno ou pequena. Covardia, cinismo, omissão. Será que Monica este é o legado que nós homens deixamos ao mundo? E será que as mulheres assimilaram de tal forma este legado que o estão usando contra aqueles que ainda buscam a dignidade e nobreza de sentimentos?
    Talvez um dia o Criador possa responder, por hora como no conto budista é hora de tratar da punhalada mortifera contra o coração tal qual Marat no quadro do pintor David.

    1. Douglas, os seres humanos são capazes de coisas terríveis e isto não tem a ver com religião, raça ou cor dos olhos. Depois de uma extrema decepção como esta só tenho a dizer: exercite o perdão. Perdoe a si mesmo e esta mulher. Não que você tenha que reavivar qualquer relação, mas pelo menos terá menos dores, embora a mágoa sempre fique à espreita.

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