Sem mira

Mirou, mas alguma coisa fazia com que não houvesse firmeza nas mãos. Talvez fossem aquelas emoções que queria repreender.
Retomou a mira. Mas, as mãos ainda lhe traiam, como aquelas pessoas que já lhe haviam machucado.
Estancou um pouco para ater-se a alguns detalhes. Nas mãos ainda trêmulas, observou a flecha. Tanto tempo havia passado e ela também já não era a mesma. Estava cansada das tentativas inúteis ou dos lançamentos infrutíferos, de quando se perdia na trajetória e fincava-se em qualquer coisa, menos no alvo.
Já tinha tido uma mira infalível, por onde fizera tanta gente feliz.
Mas, fazendo os outros felizes, nunca conseguia atingir os alvos para si próprio.
Condenado, talvez, estava… A nunca se apaixonar ou nunca saber direito o seu alvo. Pobre coitado. Aquele cupido. Desastrado para si mesmo, naquela emblemática existência fantasiosa. Sem amar. Sem amor. Sem mira. Sem ser flechado. Fechado. Coração.

M. Kikuti

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