Qual é o sentido? – Coluna nº 55

Vivemos numa dicotomia entre o sentido e o que não faz sentido. Há o sentido de felicidade, que acaba com a instantaneidade das coisas, porque não é a felicidade em si, aquilo que a gente sempre deseja, mas que nem livros de auto-ajuda parecem ser suficientes para mostrar o caminho das pedras. Há o sentido que, simplesmente, não faz sentido. Não encaixa, talvez pela luta constante em se pensar nas congruências e incongruências das coisas, da vida e dos ditames a que estamos tão acostumados.

Procuramos sentido em tudo e procuramos sentir tudo. Queremos ser intensos e ter tudo em intensidade. Mas as coisas e os sentimentos bons não parecem ser tão intensos como a raiva, que se apodera, vez por outra, de nossos pensamentos e até ações para que nos arrependamos depois das consequências colossais. E “a vida é muito curta para arrependimentos”.
A intensidade faz o sentido das coisas? Ou o sentido das coisas traz a intensidade? Ou não precisa ter intensidade para fazer sentido e se faz sentido, para que ser intenso? Tudo é muito particular, num mundo de experiências coletivas despejadas a rodo nas redes sociais e nas fofocas que chegam como mensagens no WhatsApp.
Há dissonância nas coisas e não há sentido em muitas delas. É como se buscássemos uma agulha no palheiro, para tentar explicar coisas que não sabemos mesmo explicar. Coisas que, talvez, não tenham uma explicação plausível.

Fazer sentido traz um conforto para uma espécie de sordidez que habita dentro de nós buscando uma verdade, narrada em primeira pessoa, constituída por fatos nem sempre reais, mas imaginários.
O sentido das coisas traz, ainda, a fiança para o medo confinado, que suspeita das narrativas, dos personagens e das expectativas; que olha para o cenário como um crítico duvidoso, um gato escaldado ou um roedor infame.
Estamos inafiançáveis dentro das nossas prisões quando algo não faz sentido. Sofremos buscando uma interpretação. Recorremos aos astros, bruxas, números, siglas, sinais de fumaça. E interpretar é mais difícil do que enxergar a realidade, sem rebuscar as coisas.

Interpretar depende de valores, de razões, de visões de mundo tão singulares, embora, em algumas tentativas, haja algo que pareça unânime pulsando nas divagações coletivas.
Às vezes, o sentido é não fazer sentido. É só fazer sentir. E o sentimento é grande diante de coisas que podem ser explicadas ou não. Sentir é árduo, é hipnótico, é semeador, é pulsante, é único. Sentir é como estar num vazio e girar a maçaneta para as emoções. Sentir é estar vivo, diante do que faz sentido ou não. E sentir é fazer, realmente, a experimentação do sentido das coisas. Namastê!

M.Kikuti

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4 comentários sobre “Qual é o sentido? – Coluna nº 55

  1. Foi um presente ter encontrado sua coluna no Jornal do Metrô de hoje. Suas palavras falaram ao meu coração, o que se repetiu assim que chequei o seu blog.
    Gostaria de te dar os parabéns e dizer que passarei a ser um visitante assíduo. Parabéns pelo seu trabalho. Um abraço.

  2. Pois então Mônica, estou ” passeando” pelo seu espaço tão convidativo. Sim, penso como vc, que basta sentir. Mas é inerente a nós seres humanos, querermos explicações, inclusive do sentir. Não saber a origem das coisas ou de nós mesmos , nos intriga. Paremos de perder tempo , este tão valioso e que não volta mais, para simplesmente viver . A compreensão de tudo não é desse mundo..rs beijo, beijo! Sílvia

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