No um a um – Coluna nº 62

A gente pode aprender um pouco mais sobre as coisas, deixando-se abrir para os lampejos de sabedoria, não com aquele afã momentâneo, mas com algo que é difícil: controlar a mente. Na semana passada acabei lendo uma frase que suscitou um rompante de transformação. Era algo assim: “Se não há ninguém gentil, seja você a pessoa gentil”, lembrando muito daquela outra “seja a mudança que você quer ver no mundo”.
Era sábado, tinha acordado cedo, animada para fazer tantas coisas e ser a pessoa ainda mais gentil do planeta, sem exigir que os outros tivessem que ser – embora devessem, é verdade! Mas a vida prega peças, o destino pode ser traiçoeiro e a mão de Deus chega para fazer valer qualquer desafio.
O primeiro embate foi numa loja. Cedo tem menos gente, posso fazer tudo com calma, escolher, fazer contas, pensar no café quentinho de mais tarde ou o que quer que seja. Uhuu! E aí escolhi, pensei em tudo que pudesse, enquanto os poros exalavam gentileza, paz, amor, namastês.  Na hora de pagar…. Eis que a moça, que não era a do caixa e foi alçada para atender a única cliente – aquela coisa de só passar a porcaria do cartão (acho que estou ficando irritada! rs) – começou a ensaiar um chilique, bufou na maquininha e reclamou que não aguentava mais carregar peso e um blábláblá que poderia ter me causado uma úlcera. Puxa, ninguém merece gente mal educada e, de lambuja, mau humor! Mas, numa tentativa de blindagem automática, pensei: “Não vou deixar que isto acabe com meu dia”. E ela até me deu um “bom fim de semana” e arriscou um sorrisinho de “desculpaê”.
Continuei feliz e saltitante. Até que teve a parte 2. No caminho para o meu cafezinho, um carrão, destes de rico mesmo, apareceu na metade da outra pista, querendo cruzar a avenida, sem dar sinal, abaixar o vidro filmado no último e fazer um okzinho que fosse. Que folgado! Não vou deixar passar, não!! E não deixei mesmo. Alguém foi mais gentil que eu e o carrão ficou atrás de mim. Só que uns segundos depois, tive que frear bruscamente porque um cachorrinho foi para o meio da pista. O motorista deve ter ficado muito fulo, pensei, afinal, não dei passagem e agora vou freando do nada. Uns momentos depois, o carrão emparelhou. O motorista disse-me: “Ei, sua lanterna do freio, a da esquerda, tá queimada. Você vai pegar estrada, não vai? Então é bom arrumar, ainda mais agora no feriadão”. Dei um sorriso, agradeci gentilmente aquele senhor pelo aviso inesperado, peguei o meu queixo que tinha caído no pedal do freio e voltei ao foco de ser ainda mais gentil. Final: um para Deus e um para mim. E a gente aprende com o inesperado, com os freios da vida e nas ultrapassagens dos desafios. Porque nada é por acaso. Namastê!

M. Kikuti

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3 comentários sobre “No um a um – Coluna nº 62

  1. “Ei, sua lanterna do freio, a da esquerda, tá queimada. Você vai pegar estrada, não vai? Então é bom arrumar, ainda mais agora no feriadão”.
    Você mandou arrumar a lanterna? Não pode ficar por ai de lanterna queimada!

    G.T.

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