O fim e os meios – Coluna nº 69

Não sei por que muitas pessoas decidem botar um fim nos relacionamentos ou terem DRs intermináveis em locais públicos. Os personagens são diferentes, mas as cenas se repetem com impiedosas palavras que ferem tudo (e mais um pouco) induzindo a um choro contínuo do mulherio (homem não chora, né?).
O shopping, talvez, esteja no topo dos locais para assassinar relações com a frieza dos piores criminosos. Para começar, ninguém senta do lado do outro, como se fazia quando os sentimentos eram cultivados com as melhores prerrogativas. Como se fosse em um interrogatório – com a missão de se encontrar um culpado – as pessoas se enfrentam com espinhos, lanças, bombas, num esbofetear ligeiro e sarcástico. Alguns abaixam os olhos. As palavras cegam, abrem buracos, oceanos de insatisfações e secam sentimentos tão rapidamente como os níveis do Cantareira.
A mulher retira, sorrateiramente, o providencial lenço de papel que sempre esteve na bolsa para situações como aquela. Tenta macular a raiva com as lágrimas que cingem um semblante, agora detonado por acusações abruptas, com aquela culpabilidade crescente de tudo o que aconteceu. As pernas tremulam com a inexorável ansiedade do fim e talvez sacolejam também os comprimidos de Rivotril que terá de tomar pelos próximos dez anos (aceita que dói menos! Tô falando…).
Do outro lado, quase na fronteira do abismo, o homem comprime as mãos, tenta falar calmamente, ensaia uma comiseração repentina diante daquele choro incontido da recém-intitulada “ex”. Ta-di-nhaaaa!! Em dado momento, só lança um olhar de “não tenho mais o que dizer”, enquanto os soluços alheios ressoam por entre as mesas transformando a dor em funeral. Em mais um amor que foi para debaixo da terra. Em mais um “negócio sentimental” que não deu certo e que foi posto à luz da consciência coletiva numa praça de alimentação, povoada de gente, empanturrada de comida e de todo tipo de diálogo racional.
Momentos de silêncio. E cada um recolhe sua tralha emocional. O resto de um amor que virou pó. A sobra que ninguém quis, mas precisa ser retirada da frente, tomar um rumo.
A devastação está consumada. Tudo se consumiu, aliás. E as coisas poderiam ser tão diferentes… Não espetacularizadas, com o ridículo espionando e regozijando-se.
Tudo tem um fim, é verdade. Mas o fim poderia ser mais justo e menos hipócrita, sobretudo quando estamos falando de relações, de gente que se gostou, que planejou um futuro. Menos impiedade, mais respeito! Menos “lero-lero” e mais diálogo! Menos “mimimi” e mais admiração! Porque o fim é certo, mas os meios não. Namastê!Imagem

M. KIKUTI

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5 comentários sobre “O fim e os meios – Coluna nº 69

  1. Você sempre ótima nas suas observações… Um abraço!
    Ah… dia 24 de maio tem virada cultural aqui em Jundiaí. iremos cantar na Pinacoteca (perto do Polytheama)… bjo, depois relembro… mando divulgação o face

  2. Parabéns amei o texto..realmente acontece de voce escrever e coincidir com algo que estou pensando ou que aconteceu comigo…fica com Deus muito obrigada.

    1. Rita, minha querida, muito obrigada pela tua passagem aqui e por ler os meus textos! Fico muito feliz pela nossa sintonia. Não foi por acaso… Que você receba minhas boas energias e supere este momento! Confie: em Deus e em você! Bjo,

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