O coração só bate na pulsação – Coluna nº 70 (adiantada no Metrô News pelo feriado)

Talvez todo mundo tenha perdido a cabeça uma vez na vida, feito algo sem pensar ou mesmo dito palavras que machucam. E é na cabeça que existem tantas de nossas sentenças, muitas vezes cruéis e insanas, convertidas em feridas abertas, que poderiam ser cicatrizadas só com uma coisa: a compaixão.
A compaixão não é fácil, mas parece que nos dias de hoje ela tem se tornado cada vez mais intangível, porque ninguém quer dar o braço a torcer. Quer é torcer o braço (do outro)! Há uma violência embutida em tudo. Uma violência em mostrar-se superior, em arrancar sangue, em espancar, em fazer valer seus valores desvalorizando tudo o que poderia ser componente de compreensão e de dignidade.
Há uma semana ouvi uma história que me bateu doído, como uma agressão desconhecida, daquelas que não se tem notícia na gente. Era uma história de amor, daquelas bonitinhas de adolescentes, mas por causa dos personagens envolvidos virou enredo de quase tragédia (ou pode virar ainda, não sei). Era o amor de duas meninas. A escola chamou as mães, uma bancada de professores. Todo o mundo apontando o dedo, julgando, só porque elas estariam “namorando”. Uma escola onde o preconceito bate cartão. Onde se espanca com palavras, mas onde os desordeiros – aqueles que batem em professor, agridem os coleguinhas, coordenam uma horda do mal – passam impunes e viram celebridades.
A menina mais velha, após chegar em casa, arrasada em saber que vai ter que mudar de escola – sim, porque não pode mais ver a outra –, teve de enfrentar o crivo da mãe e da avó enfurecidas. Foi chutada. Estapeada. Agredida em todos os gêneros, números e graus. “Você vai ter que aprender a ser mulher!”, gritavam elas, enquanto lhe batiam, naquelas torturas que muitos homossexuais já viveram e boa parte das pessoas acha “normal”. E como é que se aprende a ser mulher? Batendo? Apanhando? Rejeitando uma verdade que não se escolhe?
E a flor aqui do lado, amarela, é o símbolo da delicadeza das coisas, da sutileza e de tudo o que é tão lindo diante de nós. Portanto, uma oração para quem bate. Uma oração para quem apanha. Uma oração para quem não sabe o que é perdão, compaixão, entendimento. Porque o amor só bate na pulsação do coração. Só. E nada mais. Que esta seja a nossa batida, porque agressão não faz um mundo melhor, nem seres humanos melhores, por causa de orientação sexual. Namastê!

M. KIKUTI

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6 comentários sobre “O coração só bate na pulsação – Coluna nº 70 (adiantada no Metrô News pelo feriado)

  1. Olá querida Mônica!!! Sua mãe está melhor? Espero que sim. Como sempre, perfeita e sábia nas sua palavras… Nunca me esqueci de um comentário no programa Casseta e Planeta, do nosso querido Bussunda: viado é filho do vizinho, o meu filho é homossexual, assim somos hipócritas… Outro dia, visitando uma amiga, ela nos declarou que uma de suas lindas filhas é homossexual, porém ela como mãe só coube aceitar… aceitar que é sinônimo de AMAR, que na maioria das vezes, não sabemos o significado… AMOR que muda infinitamente nossa forma de ACEITAR, RESPEITAR, palavrinhas (verbo) mágicas que mudaria a maioria daqueles, que como nós, julgam-se : SERES HUMANOS, cabe a palavra HUMANO? Um grande beijo de Deus em lindo e especial coração, Anatália

    1. Que lindo, Anatália! Você me emociona! Obrigada por aumentar a minha alegria nesta quinta-feira! Sim, o amor muda infinitamente, porque o amor tudo pode.
      Obrigada por fazer parte deste universo amoroso e que Deus abençoe todos os teus dias, com muito, muito amor!
      Beijão e até breve,

  2. Oi Japinha, estava com saudades de te escrever, sabe que adoro sua cabeça.
    Olha, me desculpe o espaço que vou utilizar – acabo sendo chato e sei disso – mas é que esta sua coluna veio a calhar e eu poder compartilhar contigo. Em março, a neta do meu irmão, 15 anos, linda, quis conversar comigo. Fomos almoçar no shopping e ela me declarou gostar de menina, mas estava com medo do avô, o que é triste. Não só lhe dei o meu apoio como a encorajei e escrevi um poema a ela:

    Somente para os Raros
    (Clélio Muniz Pires – 05/03/2014).

    Pura a acepção do meu cálice de cristal que não se quebra
    E se não posso ter o prazer do meu vinho a enchê-lo
    Não importa embeber o meu Ser com a tua água poluída
    Das doenças daquilo que queres que eu faça
    Que é apagar os meus sonhos e a essência da minha vida
    Por isso, te convido a beber comigo do líquido de minha taça!

    A minha identidade é o que trago sob a minha pele e sob o meu tecido
    O que vedes é externo, é apenas a aparência do teu engano
    Não me julgues, pois não tenho culpa do pouco que veem teus olhos
    Não me definas, apenas dá-te a chance de vencer os teus próprios medos
    Não me firas, apenas fuja às ilusões das sombras da caverna dos teus pesadelos
    Não me condenes, mas liberte-se das mentiras sombrias dos teus enganos!

    Ofereço-lhe o sangue puro da liberdade de minhas ideias
    Mas não me imponhas o teu desejo de eu ser o que queres
    Porque em nome dos meus iguais brindarei a cor da minha beleza
    Comerei do fruto mais belo e derramarei meu gozo livre da consciência
    Pois com amor te entregarei a poesia que tenho em minha alma
    E não sorverei jamais o gosto amargo da cicuta que me ofereces!

    Um grande beijo Mônika.

    1. Clélio! Que bom tê-lo por aqui de novo! Fico muito feliz por notícias tuas!
      Muito obrigada por estas palavras! Seu poema é divino! Obrigada por ter sido (e ser) tão generoso em amor, porque são estas emoções verdadeiras que vamos levar e vamos deixar nos outros que aqui ficarão. Muito obrigada!
      Um dia cheio de luz para você!
      Beijoca,

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