Não se distraia – Coluna nº 78

Mais dia menos dia a gente ouve alguma historinha sobre relacionamentos. É aquela coisa que vai vir à tona em algum momento, seja no ponto de ônibus, no chororô da amiga na rede social, no carinha pedindo conselho sentimental, na mulher gritando ao telefone com o bofinho ou naquela pessoa que você não vê há séculos e vai te perguntar: “E aí? Tá namorando? Casou?”. Tisk, tisk. Sempre a mesma coisa. As pessoas não se conformam com alguém que não namora, que não tá pegando ninguém. “Minha vida tá mais parada do que água do mosquito da dengue” era a frase que alguém postou na internet e eu ri muito.
Entretanto, um comentário inocente estes dias me fez pensar sobre o rumo dos relacionamentos. Era uma fala boba, que a gente ouve quase sempre, mas, confesso, me bateu um negócio estranho, uma inconformidade, um “peraí, é isto mesmo?”.
O comentário era que, embora não fosse aqueeeela pessoa dos seus sonhos, você poderia estar com ela para “se distrair”. Fiquei pensando em distrações. Distração pode ser assistir a um filme, ver TV, jogar buraco, dominó, estourar plástico-bolha, ir para um parque. Como comparar alguém com “distração”? Parece algo tão fútil, tão insignificante… Segundo o dicionário Aurélio distrair é “atrair a atenção [de alguém] para outro ponto, objeto ou assunto; desviar [a atenção, o pensamento]; livrar de preocupação; divertir, entreter; afastar; descuidar-se.”
Então estar com alguém para se distrair é apenas divertir-se e afastar a atenção do que poderia importar?! É o que muita gente diz: “Vai se divertindo com as pessoas erradas até encontrar a certa”. Quando a gente pensa no outro, tudo bem, né (nem tanto!)? Mas já pensou que você também pode ser uma diversão, a pessoa que está lá na lista das “erradas”? Como um joguinho de dominó: encaixou as peças, acabou. Distração feita. Jogo ganho. Tempo passado. E aquele vazio de novo. Isto não é um jogo e muito menos justo!
Na vida, a gente também pode se distrair com o que não vale a pena e perder o foco. E neste trajeto há pequenas distrações que custam caro. É como perder a atenção um segundo no trânsito. Pode ser fatal, irremediável.
Pessoas não deveriam ser tratadas como distrações. Ninguém é jogo de dominó, programa de TV, partida de buraco. Pessoas têm singularidades e sentimentos. E a gente sabe o quanto dói ser apenas distração. Distração enjoa: cada hora a gente troca, surgem novas. Lógico que temos que ter entretenimento na vida, mas usar as pessoas para fazer parte disto é muita sacanagem! Que saibamos nos distrair com as coisas boas da vida. E ter boas companhias para isto. Mas que não usemos gente como distração. E que também não sejamos as dos outros. Nem agora, nem nunca! Namastê!

M.KIKUTI

 

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13 comentários sobre “Não se distraia – Coluna nº 78

  1. Bom dia, QUERIDA Mônica!!! E é tão dolorido nos sentirmos “distração descartável” para alguém…. tipo: a pessoa um tempinho sem fazer nada, ou um problema daí procura aquela outra pessoa (que infelizmente pode ser nós) para um monólogo ou usar a outra pessoa como distração momentânea, daí enjoa, porquê a outra pessoa se doa na pureza de seus sentimentos…. daí é só descartar, fácil, fácil …. e muito triste chamarmos isso de relacionamento. Beijos de Deus em seu coração Anatália

  2. Monica gostaria de te dizer que todas as sextas eu espero ansiosamente para ler sua coluna…Comecei acompanhar pelo jornal e agora pelo site…Obrigada!!Seus textos são maravilhosos a sua visão também…Um grande abraço

  3. Acho que é uma forma de se sentir realizado pelo seu feito e não pelo relacionamento…vivemos um momento na sociedade onde tudo é descartável, é triste ver que até o ser humano também… muito egoísmo né?!!!

  4. Muito prazer em conhecê-la, Mônica! Geralmente uso o metrô à tarde e por isso ainda não a conhecia. Que bom que precisei usá-lo na manhã da última quinta e assim pude ler seu texto. Adorei!!! É muito bom quando lemos algo que diz o que muitas vezes queremos dizer e não conseguimos. Parabéns pelo seu trabalho!
    Vou tentar acompanhá-la pelo blog!

    1. Luciana, muito obrigada por ter me encontrado em palavras. Muito obrigada por tê-las lido. Agradeço também ao acaso, que também era destino. E assim tudo isto era para ser, exatamente como foi!
      Estou muito feliz por ter você entre os meus leitores! Obrigada, mesmo! Um beijo e até breve,

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