Ecoe esperança – Coluna nº 81

Nos pequenos detalhes ou nos grandes desastres afetivos descobrimos quem são, realmente, as pessoas. Muitas não agem de acordo com a função que ocupam, seja em se tratando de cargo ou no lugar que conquistaram dentro da gente como “pessoas estimadas”. Ouvi duas histórias nos últimos dias. A conclusão a que cheguei é que tem um monte de bruxa travestida com o “véu da santidade” e que os “amigos da onça” não estão em extinção.
O que seria da nossa vida sem os desafios? Já imaginou aquela rotina perfeita, sem nenhum chato para implicar, para fazer a gente valorizar pai e mãe, educação, respeito, os amigos de verdade? A perfeição é utopia dos apaixonados – que sofrem por tabela. Não tem jeito. Tem gente que vê a vida colorida. Outros em preto e branco. Depende de cada um. E a gente sabe que pode colorir a vida como quiser, embora nem sempre pareça fácil abrir as latas de tinta.
Um padre contou que na época do seminário, por não ter dado banho no cachorro da madre superiora foi detonado por ela no refeitório: “Você não serve para ser padre! Aliás, não serve para nada”, disse ela, deixando escorrer pelo ralo tudo o que deveria pôr em prática. O jovem quase desistiu da vocação. Palavras machucam demais e podem ficar ali, intactas, ecoando a vida inteira. Mas no meio de bruxas também há anjos. E foi assim que um destes emissários de Deus apareceu e acendeu a luz da esperança, do amor e da boa vontade. E o homem se tornou padre.
Na outra história, uma funcionária pública tinha uma amiga no trabalho – bem, ela achava que era amiga, mas era daquelas, da onça. Incentivou-a na carreira e a amiga da onça virou sua chefe. Tomavam café juntas todo dia, naquela cumplicidade de quem convive e se gosta. Mas, numa destas mudanças, a funcionária foi transferida de setor e achava que a “da onça” poderia intervir. Mas não o fez. E aí uma convivência de anos também foi para o ralo da inconformidade, abrindo um buraco de ingratidão no peito remendado com o piche da mágoa.
E mágoa é um negócio sólido. Fica ali como pedra no rim. Dói. Tem que tirar, expelir, dar um jeito. Ninguém quer ficar com um “corpo estranho” dentro, com algo que não deveria estar ali. Mágoa tem que ir para o ralo também. Tem que escorrer, sem direito a ficar resquício. Demora um pouco, mas a gente supera.
O mundo está cheio de ingratidão, de gente que não sabe agradecer e nem reconhecer. Mas, em contrapartida, também está cheio de gente grata, de gente do bem, de amigos que não são da onça. Não dê voz ao desalento. Ecoe esperança. Dentro de si. E para os outros. Namastê!

M. KIKUTI

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