Adocique a vida – Coluna nº 81

Ganhei um bolo com estrelas coloridas no meu aniversário, assim, de surpresa, feito com todo o carinho por uma leitora querida. Nunca tinha ganhado bolo de surpresa!! Tinha era recebido o bolo que o povo dá quando a gente marca uma coisa e a pessoa não aparece – ou desmarca na última hora. Ah, dá uma raaaaivaaa!
Mas, o bolo de verdade, confeitado com toda a delicadeza do mundo, foi a materialização de um carinho que não se compra. E eu adoro mesmo o “incomprável”: aquilo que dinheiro nenhum no mundo pode comprar, porque não é vendido. Está ali, único, e vem de forma gratuita e genuína. O “incomprável” traz uma felicidade arrebatadora na vida da gente, algo que transcende, que marca por dentro sem machucar. Que fica para sempre nas lembranças que nos confortam e fazem girar a mola propulsora do amor.
Houve quem também me deu chocolate para se redimir do bolo de não ter ido à minha festa. Eu gostei. Chocolate adocica. Lembrou da música: “Adocica, meu amor, adocica”? Pois então, quem daria sal no lugar de açúcar? Só se fosse sal grosso!
A doçura traz conforto. E ser doce também. E aí eu me lembrei de algo doce. Doce mesmo, mas que não enjoa. Que não precisa tomar água por cima para aliviar aquele melado que fica. É um doce que mal dá para descrever, mas que a gente tem que apurar muito. É um doce que, no começo, é bem amargo. Mas depois vira mel. E virar mel dá trabalho, mas não tem nada igual a mel – embora haja um ou outro que não goste.
O perdão é assim: doce. Doce e único como mel. O perdão traz conforto, tira o amargor das coisas. Livra a vida da amargura. Liberta o coração daquele nó. Desata. Desamarra. Desamarga.
Perdoar é abrir as algemas. É deixar de açoitar. É tirar a venda dos olhos e enxergar a vida mais suave. Sem fardos, sem sinal vermelho, sem ressentimentos.
Quando a gente pensa que há coisas imperdoáveis acontecendo e que estamos de mãos atadas, a vida salga um pouco mais. Mas, se a gente cultivar em si mesmo um pote de mel, por menor que seja, é o doce para momentos difíceis ou para dessalgar qualquer tormento.
Não é fácil perdoar, mas desejar o perdão é um começo. É como construir a base da colmeia. Aos poucos as coisas acontecem. Mas dê o tempo que for preciso. E transforme o sal em açúcar. Seja uma abelha. Faça mel. Chega de empedernir as coisas… Chega de ressentimento ou de bobagens inventadas. Liberte. Jogue mel nas coisas. Jogue mel em si. No outro e no que era amargo. Adocique-se! Namastê!

M. KIKUTI
shutterstock_201090122 ilustração mix de mel e abelha

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4 comentários sobre “Adocique a vida – Coluna nº 81

  1. Que festa de arromba menina! Claro,não poderia ser diferente você merece querida.Até eu estive presente!!!! kkkkk Uma presença diferente…..

  2. QUERIDA E ESPECIAL MÔNICA, você merece todos os DOCES DA VIDA!!! Pois você faz a diferença na minha vida e na vida de muitos…. Nos conforta , nos mima e principalmente traz LUZ COM SEUS LINDOS E ESPECIAIS TEXTOS. Anatália

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