O carcereiro

O medo fazia frio, aquietando sentimentos calorosos em pleno inverno.
O medo era vento gelado aniquilando a paixão juvenil em tempos de maturidade.
Dos amores de inverno, não houve nenhum.
Foram todos sequestrados para as prisões do “improvável”, na cela ao lado do “impossível”, onde não havia cadeado nem tranca.
Com olhar impiedoso, o medo era o carcereiro cruel e incansável. Não dormia. Estava sempre à espreita de qualquer ameaça de fuga, embora os amores fossem tolhidos todos os dias um pouco mais. Inseguros, pouco lhes restava.
Amores sufocados pelo medo. Amores que não tinham outra chance a não ser entregarem-se à finitude, à transformação (equivocada) em vazio. Em gelo no frio, diante da cálida certeza do que poderiam ter sido.
Sob a esganadura da hipótese, os amores eram torturados. E o medo era o regozijo que esperava-se dos amores de inverno, de verão, primavera ou outono. Ou de uma vida de estações, onde os amores sempre tinham sua temperatura, cor e valor, independente das intempéries a que estavam expostos.
O medo é a pior exposição. É a pior estação para qualquer amor. Sem segunda chance, nem salvo conduto. Sem julgamento. Mas com sentença de morte. Sem sorte…

M. KIKUTI
jail_love

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