No envelope

O tempo já não me convence e tampouco convém.
No mundo, o giroflex da inconcordância está ligado. Há sirene, há aviso. E quem não ouve nada.
O que é que a gente faz quando não se sabe o que fazer, para onde ir e onde ficar?
O que é certo e o que é errado? O que fica e o que some?
A transitividade das coisas está por aí.
A finitude desavisada, que marca um fim sem começo, também.
Não se quer dizer… e o silêncio é preciso. Quiçá precioso.
E você nega a comida. Por quê? Um silêncio sem resposta.
A barriga cheia doía. A mente cheia nunca se esvazia.
No copo, um pedido de café com leite, enquanto o céu não mostra quem sou eu, sem neblina, fuligem, névoa.
Simplesmente transparente.
Para onde iremos?
Quem é que vai dizer, se não você?
Parecia até que toda uma vida se limitava a documentos no envelope pardo.
E já não consigo olhar para ele.
Quero um guepardo.
Viagem ao infinito.
E tudo que não diga o óbvio.
E nada que convença, mas talvez converta.
Lágrimas ou um papel em branco.
Só para eu ter de escrever.
De novo.

M. KIKUTI

kraft paper

Anúncios

2 comentários sobre “No envelope

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s