Ligue-se mais – Coluna nº 90

Enquanto tomava café na padaria, dia destes, peguei um trecho de um programa matinal. Os convidados discutiam a falta de etiqueta em vários níveis. Em dado momento, uma consultora da área, disse uma frase cunhada em muita Psicologia: “Talvez a gente esteja vivendo num mundo tão consumista que estabeleçamos uma relação de consumo até com as pessoas. Uma pessoa não é da outra”, falou ao comentar um caso em que uma convidada tinha se sentido traída ao ver o namorado conversando com a ex.
Pois bem… Ninguém é de ninguém! Mas esta relação de consumo e de posse existe e é muito arraigada nos relacionamentos. Por vezes, alguns comentários, dos mais simples, já denotam o sentimento de posse, de controle, como se o outro fosse propriedade e não pudesse cortar o cabelo como lhe convier, colocar a roupa que mais gosta, pintar a unha como quiser, encontrar amigos para conversar. O que muita gente não toma consciência é que este tipo de coisa estraga, é perecível como pão de forma. E aí não dá mais. Não desce. Não se digere.
Certas relações, embora não queiramos admitir, têm prazo de validade. E, como sabemos, o que está fora da validade faz mal, intoxica. Para que então insistir em algo que, definitivamente, não faz bem?
O ser humano é, em sua essência, livre. Ninguém quer se sentir preso a ninguém. Aliás, prisão é algo que nos remete a sofrimento. Quem é que, em sã consciência, vai querer sofrer?
Na realidade, o que os seres humanos desejam é estarem ligados a alguém. E isto é completamente diferente de estar preso. Estar ligado a alguém remete à conexão. A algo que transcende. É como um fio condutor que no fim vai te acender. Te iluminar. Te encantar, trazendo algo novo e acalentador a cada encontro, mesmo que este encontro não seja face a face, mas que te permita sentir a vibração, a sintonia.
Talvez haja momentos em que o fio solte umas faíscas, mas quando a gente sabe que aquela conexão é importante e cheia de bem querer, não a perdemos. A gente não deixa o fio condutor se romper. A gente alimenta esta conexão com uma energia que se revigora de forma impressionante, justamente porque não depende de posse, de controle. E não tem gambiarra.
Precisamos de relações sem emendas e curtos-circuitos. Sem prisões, sofrimento, algema e tortura. Mas, relações com ligação direta, de coração para coração. Com fios nos conduzindo a um emaranhado de bons sentimentos, pureza de espírito e nobreza no trato. E que a gente não se desprenda, não porque não consegue sair, mas sim porque se comprometeu a ficar ali. Justamente porque estar neste emaranhado é bom e é ser livre. Namastê!

M. KIKUTI

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9 comentários sobre “Ligue-se mais – Coluna nº 90

  1. Bom dia minha Linda, senti sua falta hoje, no jornalzinho do metrô, aguardo ansiosamente por nossos encontros as 5ª feiras, espero que esteja bem !!! Um abraço

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