Sorte ou azar? – Coluna nº 93

“Ó vida, ó azar”, “Ó tragédia, ó terror”, “Ó vida miserável”! Os leitores na casa dos 30 anos em diante certamente vão se lembrar destas frases imortalizadas pelo personagem Hardy, a hiena do desenho Lippy e Hardy. Mestre em pessimismo, Hardy era o fiel companheiro do leão Lippy, espertalhão que colocava a dupla em verdadeiras enrascadas. No desenho, o alto astral de um contrabalanceava com a nuvem negra do outro, sempre disposto a ver o lado negativo das coisas e até a atrair a negatividade: as coisas ruins aconteciam.
Contrariando a natureza, Hardy não era uma hiena “alegre”. Será que, então, era um bicho azarado? E Lippy teria sorte porque era “feliz”, tinha uma juba bonita, era inteligente? Pois bem… quando pensamos em sorte ou azar, nos balizamos pela subjetividade. O que pode ser sorte para um é azar para o outro, dependendo da circunstância e também da forma de enxergar as coisas. Um assalto malsucedido, por exemplo, é azar para o ladrão e sorte para a vítima.
Mas será que a sorte é ser imune às doenças, ganhar na loteria, ter um carrão, um cônjuge bonito? E ter azar é não ter dinheiro, não ter emprego, não se engajar num namoro que preste? Será também que é preciso ter um amuleto para trazer-nos sorte ou não deixar escapar a que temos? Figa, ferradura, pimenta, olho grego e tantos outros símbolos talvez estejam aí para fortalecer os nossos sentimentos e, energicamente, trazer bons agouros. Vai depender do quanto se acredita. E quando se acredita o universo conspira. Inspira. Faz soprar os ventos com a boa nova, com o que a gente, realmente, deseja. Tudo isto é potencializado com a atitude e o pensamento.
É verdade que a energia do pessimismo não é a mesma do otimismo. Basta rememorarmos as conversas com pessoas que só falam coisas negativas. O papo não flui, vira um monólogo depressivo, a energia é pesada e não há arruda que resista. Por outro lado, a pessoa otimista traz uma luz que brilha só de olhar. A fala é diferente, tem energia que conforta e revitaliza. É como um sopro de sorte a chamar-nos a outro caminho quando estamos prestes a prender-nos na teia dos maus presságios.
Pode ser que tomemos placebos todos os dias para nos dar sorte. E o se o mal é o azar, que a gente se livre dele como na oração do Pai-Nosso. Que nosso anjo da guarda seja sempre sortudo e que nunca perca forças em nos proteger. Que a gente sempre possa dizer: “Ó vida, ó sorte!” e não o contrário. E que sempre possamos atrair o bem, justamente por sermos executores do bem. E isto já é sorte o bastante! Namastê!


M. KIKUTI

Cabeça Liberta 09114 - DIVULGAÇÃO

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