Até ontem

Até ontem tudo era conhecido.

O vento no dia quente era só mais um adendo.

Hoje tudo o que foi de ontem jaz em algum lugar. Não faz mais diferença, embora, a diferença esteja no ar.

E já não consigo espiar pela janela.

Há muita coisa acontecendo dentro de mim e a curiosidade lá fora passa despercebida.

Um dia cálido como todos os outros? Não. Desta vez, não.

A poeira nos sapatos rememora por onde caminhei, mas hoje não faz diferença.

Não há mais poeira por dentro. Nem por fora.

A pelúcia encardida é um retrato do passado cheio de ácaros.

Não me preocupo.

O presente está no embrulho sobre a mesa.

Basta desfazer o laço. Desatar o nó.

E ser.

Sentir.

Sem mais.

Nem menos.

M.KIKUTI

ate ontem

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2 comentários sobre “Até ontem

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