À escolha – Coluna nº 98

No supermercado parece que a urgência para pagar e ir embora sobrepõe toda a paciência comprometida na escolha dos produtos. Mesmo que não haja um compromisso com hora marcada, “não se pode perder tempo”. E aí parece que o tempo é mais importante do que a permanência no momento que a vida nos oferece.

Ontem, eis que na minha frente, havia pelo menos três pessoas com carrinhos semi-abarrotados. Na fila ao lado, uma mulher já colocava o as compras na esteira do caixa e havia mais uma com beeeem menos coisas do que as três da minha frente. Ah, a outra fila vai ser bem mais rápida, imaginei.

Troquei de fila. E aí o caixa empacou (seria a Lei de Murphy, meu Deus?). Em dois minutos e meio, talvez menos ou mais, resmungos começavam a ressoar da mulher à minha frente que olhava, impaciente, as compras da outra, com ao menos dez frascos de xampu, ainda inertes na esteira.  Enquanto isto, a minha primeira fila avançava que era uma beleza! Ó céus, como fazemos escolhas erradas!

Depois de um tempo que não sei precisar (mas, a verdade é que todos os que estavam na outra fila e mais uns dois clientes passaram), o meu caixa começou a fluir. O problema era que o preço de produtos na prateleira, certamente o xampu, estava diferente do anunciado no jornalzinho do supermercado. E aí foi mesmo aquele rolo do “chama fulano”, “chama ciclano” para resolver o impasse.

Na vida, entretanto, pouco importa quem vai passar mais rápido no caixa. Todos terão que quitar seus débitos. Mas, pode ser que, na hora de nossas escolhas, tenhamos impressões erradas: há muitas aparências que enganam.  Achamos que conquistaremos o que desejamos muito mais rápido que os outros, mas pode aparecer algo ali no caminho, quiçá o preço. E um preço alto a pagar… Não é sempre que temos disponível tanto a gastar ou mesmo certeza de que é bom despender quantias exorbitantes.

Mas, temos condição de escolher, de trocar de caminho, de mudar de fila, de ir por outra passagem, estreita para uns, larga para outros. Pode ser que a vida também empaque como o caixa de supermercado, contrariando seu fluxo. Mas, a partir do momento que estamos no comando, voltamos a caminhar, a deixar a vida seguir seu fluxo natural, com as coisas boas que temos plantado por onde estivemos.

Se a vida parou de fluir como você gostaria, resgate o caminho. Resgate-se do caminho: saia do buraco. Encontre a luz de emergência. Se for preciso, aceite uma mão amiga para se levantar, mas continue.  Siga adiante. Pode ser que não chegue ao destino no seu tempo, mas será no tempo que for preciso. Tenha paciência. Conquiste esta virtude. Namastê!

 M. KIKUTI

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