Presságio

Cansei da minha estupidez.

Destas coisas todas sem fim.

Cansei desta bobagem de amar alguém.

Lido com o infortúnio todos os dias.

Não sei quem sou, o que quero, para onde vou.

Meus sonhos são equívocos de noites de lua cheia.

Procurei me benzer.

Tomei água benta.

Lavei-me com canela.

E nada disto me fez descobrir o que eu era e tudo o que sou.

Os dias passam rápido. O caminho está à vista, a passagem livre e mesmo assim não sei se continuo ou me destituo dos anseios pueris.

Pedi perdão pelos meus novos pensamentos.

Quero mudar de religião. De país. De amores.

Divorciei-me de mim por dois minutos e parecia que tinha sido um presságio de morte.

Tenho tudo e não sou nada. Tenho nada e o que tenho é coisa alguma.

Queria que me amassem, mas ninguém quer tanto trabalho! Querem gente pronta, com dinheiro na conta corrente, sorriso plastificado e ouvido apurado para os leros-leros egocêntricos.

Não consigo mais abrir a porta.

Escrevo no ar o que queria ouvir. E o vento sopra distante enquanto a lua me aconchega na luz que agora me falta.

M. KIKUTI

moonlight

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3 comentários sobre “Presságio

  1. Mais que palavras. Profundidade poética – vc brincou agora!
    “Escrevo no ar o que queria ouvir. E o vento sopra distante enquanto a lua me aconchega na luz que agora me falta.”

    Abraços do teu leitor

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