Eu contrario

Tenho saudade do que não se pode dizer.

Tenho saudade das palavras que ficaram na incógnita dos pensamentos cotidianos e que perpassam a magnitude dos anos vividos.

Eu não tenho tido tanto tempo quanto deveria, mas também não tenho tido tanto do que me dispor.

Estive disponível para tantas coisas, é verdade, mas hoje não sei se fazem mais sentido. As horas movem-se num compasso que desconheço.

Tive saudade dos vidros molhados com as gotas de chuva nas viagens solitárias.

Pela janela, as imagens distorcidas de campos intermináveis pelo mundo afora.

Há quem diga para eu não dizer. E eu digo para poder contrariar.

Contrario o vento. Contrario a chuva.

Contrario emoções e lembranças a todo o momento, como se contrária fosse a vontade de tudo que existe em mim.

E pode ser que seja mesmo pelo contrário. Tudo de ponta cabeça, pelo inverso.

Mas, pouco importa.

Só não tenho coragem de contrariar o amor.

Talvez porque ele seja divino e a divindade não se questione assim, só para contrariar.

E se me falta coragem para contrariar o amor, não me pode ser contrária esta vontade de amar.

Esta vontade de desejar que a chuva molhe, que o vento leve embora as folhas secas e que não haja nada além de amor na vida.

E entre você e eu.

E tudo que (ainda) existe.

margarida

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