Duas faces

O tempo tem duas faces: a sórdida e a acalentadora. Por vezes, as duas ao mesmo tempo….

Maldito tempo que me destrói com a saudade da minha mãe, da sua risada, dos seus ditados, das nossas viagens… Bendito tempo que me reconstrói os pedaços, que me faz esquecer de quem me feriu, que me recompõe e me ajuda a não ter lembranças nefastas.

Maldito tempo que vai passando tão rápido e cada segundo é um segundo a menos de vida. A morte se aproxima, se avizinha de não sei onde e nem quando.

Bendito tempo que me dá mais uma chance, a cada segundo, de ser diferente, mesmo que não haja muito por fazer. Eu tento no tempo que existe. Ou caio e me levanto e recomeço enquanto há tempo. Até quando haverá, não sei.

Maldito tempo perdido com falsos amores, com palavras tão lindas que agora não significam mais nada.

Bendito tempo que, embora passe rápido, tem me mostrado o que, de verdade, importa. Eu me amo mais.

Amo o tempo, mesmo o perdido. Amo cada segundo que me recomponho, que me re-significo, que me incomodo e que me tento fazer diferente.

Amo também o sorriso da minha mãe, na foto que eu vejo todo dia e na sua letra tão bonita em seu caderno de orações, que me presenteia com sua presença, quando a dor ameaça reaparecer. Os pássaros cantam lá fora e me preenchem o coração, num novo presente. O nó na garganta se desfaz.

E a cada segundo, eu já sou diferente… Eu já choro menos. E vivo mais.

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2 comentários sobre “Duas faces

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